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Entenda como as curandeiras foram transformadas em bruxas

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Se hoje em dia estamos acostumados a ver uma série de obras de ficção que falam sobre as bruxas, quase sempre com elas aparecendo como as principais vilãs das histórias, há séculos atrás o título era utilizado para perseguir mulheres. Ao longo dos tempos, diversos historiadores de debruçaram sobre este problema para entender como essas figuras realmente foram criadas e como a situação chegou ao ponto de levar mulheres para a morte quando eram acusadas de bruxaria. 

Um dos primeiros pontos é o fato de que as bruxas são figuras femininas, e mesmo dentro de uma construção de mundo ficcionais com pessoas que possuem poderes sobrenaturais elas são vistas com um ar de inferioridade em relação aos homens. Um exemplo são os magos, que basicamente são bruxas do sexo masculino, mas que geralmente aparecem como seres superiores, em muitos casos até mesmo combatendo as bruxas em questão. 

Mas, toda essa figura das bruxas que acabaram se popularizando especialmente através dos contos de fadas, não passa de uma criação direta do cristianismo. 

Entenda como as curandeiras foram transformadas em bruxas

As bruxas na idade média

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A ideia da existência dessas mulheres bruxas existem desde a idade média e aparecem em mitologias de diversas regiões, como Europa e Oriente Médio. Mas, no caso do Oriente Médio, essas mulheres eram representadas como pessoas que poderiam ajudar outras pessoas em situações difíceis, especialmente envolvendo a saúde, em um momento da história na qual a medicina ainda era muito instintiva. Além disso, elas também eram vistas quase sempre com mulheres sabias e respeitadas. 

Expansão indo-europeia

Antes mesmo do nascimento de Cristo essa imagem acabou mudando bastante. De acordo com os pesquisadores e historiadores, um dos principais fatores dessa mudança foi realmente a expansão indo-europeia que tinha como principal elemento da sua cultura uma maior valorização dos deuses masculinos da guerra. Essas figuras acabaram sobrepujando as divindades femininas. 

E para que as divindades masculinas realmente conseguissem se destacar neste universo, eles começaram a combater as mulheres que tinham este poder sobrenatural. Para isso, elas começaram a ser diretamente vinculadas a tudo que era considerado como ruim e perigoso para a comunidade. Principalmente em relação a sua possível habilidade de manipular elementos da natureza, sendo acusadas de causar desastres naturais, por exemplo. 

Caças aos pagãos

Com o aumento do poder de influência do cristianismo na Europa, tudo que era considerado pagão acabou sendo demonizado. E como as bruxas já tinham este poder vinculado a natureza, o que acaba deixando de lado o deus cristão, elas acabaram se tornando as grandes vilãs. 

Peste Negra

Outro momento que foi crucial para a história não apenas das bruxas mas do crescimento do cristianismo foi o século XIII, quando o continente viu milhões de pessoas morrerem em função da peste negra. Neste momento, as pessoas buscaram uma explicação para tudo de ruim que estava acontecendo, a o cristianismo conseguiu popularizar a ideia do Diabo e de que suas ações tinham consequências diretas na vida das pessoas, muito além de uma simples ideia citada na bíblia. 

A igreja afirmava ainda que existiam muitas pessoas na Europa que eram consideradas como adoradoras do diabo, e essas pessoas seriam as principais culpadas por permitir e criar um caminho para que essa entidade maligna conseguisse realmente chegar na vida das pessoas normais. Mas, como não era fácil identificar essas pessoas, a igreja começou a criar um perfil de possível adorador do diabo: todo mundo que tivesse qualquer tipo de costume ou crença pagã. Neste meio, as bruxas acabaram se tornando os alvos mais fáceis. 

Caça às bruxas

A partir deste momento, toda a ideia da comunidade de que aquelas mulheres nada mais eram do que curandeiras que buscavam na natureza formas de ajudar as pessoas já não existia mais. As pessoas realmente conseguiam apenas enxergar as bruxas como as mensageiras do diabo. Mais do que isso, todas as mulheres que tinham costumes diferentes daqueles que eram considerados como cristãos passaram a ter que responder como possíveis bruxas. 

Outro momento crucial foi a publicação de um livro chamado Malleus Maleficarum. Trata-se de uma espécie de manual, feito pela igreja católica, para que as pessoas conseguissem identificar e caçar as bruxas. A publicação trazia uma série de indicações que permitiam identificar o que era chamada de praticante de heresias. 

Dentre os sinais que eram citados no livro estavam possíveis “marcas do diabo” que podiam ser encontradas no corpo das mulheres, que podiam ser apenas verrugas ou cicatrizes. Além disso, se pessoas afirmavam que uma determinada mulher aparecia com frequência em seus sonhos era sinal de ela era uma bruxa. 

Todo este movimento acabou resultando em uma verdadeira chacina, que levou à morte milhares de mulheres na Europa e também em outros continentes, como a América. 


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