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7 escritores que não gostaram da adaptação de seus livros para o cinema

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Se tem algo que se tornou absolutamente comum em meio à indústria cinematográfica nas últimas décadas, é a produção filmes inspirados em grandes livros. Naturalmente isso não é regra, mas é surpreendente a quantidade de longas que já seguiram esse caminho.

O mais curioso, porém, é que em alguns casos a adaptação para as telonas acaba desagradando ninguém menos que o próprio autor da história original, ou seja, aquele que a publicou inicialmente em forma de livro.

E não pense você que isso acontece somente com produções que desagradam o público e a crítica, não. Há casos de filmes que são absolutamente cultuados e mesmo assim não agradaram os autores dos livros em que foram inspirados.

Para que você tenha a exata noção do que estamos falando, apresentamos a seguir uma lista com sete exemplos que ilustram bem o que foi dito. Confira!

Os filmes que desagradaram autores dos livros em que foram inspirados

P.L. Travers / Mary Poppins (1964)

P.L. Travers / Mary Poppins (1964)

Não, você não está delirando. O primeiro nome da lista é mesmo o da autora responsável pela história que deu origem ao famoso filme “Mary Poppins”, aclamado pela grande maioria dos cinéfilos desde meados dos anos 60.

Por mais que a maioria tenha amado a obra produzida pela Disney para as telonas, a obra não conseguiu convencer P. L. Travers, que aliás, parece ver a adaptação como um grande pesadelo. Não foi por acaso, afinal, que o assunto rendeu o famigerado filme “Walt nos Bastidores de Mary Poppins” (que tal esse título?).

Segundo informações, Travers aprovou o roteiro para a produção do longa, no entanto, o que foi filmado não era exatamente o que estava previsto no texto. Diante disso, Travers desaprovou totalmente a maneira como a personagem foi retratada – especialmente a alegria esfuziante da mesma – e até as sequências de animação apresentadas.

Como resultado disso, a autora teria chorado durante grande parte da première e decidido não deixar Walt Disney tocar em sua história nunca mais.

Roald Dahl / A Fantástica Fábrica de Chocolate (1971)

Roald Dahl / A Fantástica Fábrica de Chocolate (1971)

Na segunda posição temos outra obra que fez sucesso nas telonas (ganhou inclusive um remake em 2005) mas nem por isso ganhou o apreço do autor do livro que lhe serviu de inspiração. Para o escritor Roald Dahl, a versão de seu livro “A Fantástica Fábrica de Chocolate” para os cinemas, foi simplesmente “podre” (“crummy”).

E ele também não pareceu muito satisfeito particularmente com o ator Gene Wilder no papel de Willy Wonka. Sobre a atuação ele definiu como “Pretensiosa” e “Saltitante”.

Em relação ao diretor, Mel Stuart, para o escritor ele “Não tinha nenhum talento ou dom”. Assim como a autora de Mary Poppins, Dahl decidiu que jamais cederia a Hollywood a sequência da história, apresentada no não tão conhecido livro, “Charlie e o Grande Elevador de Vidro”.

Um detalhe curioso, é que somente depois da morte do autor em 1990 é que alguém “se atreveu” a levar a história novamente às telonas, o que aconteceu pelas mãos de Tim Burton, em sua versão de “A Fantástica Fábrica de Chocolate” lançada em 2005.

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Anthony Burgess/ Laranja Mecânica (1971)

Anthony Burgess/ Laranja Mecânica (1971)

Sim, nem mesmo o aclamadíssimo “Laranja Mecânica” fugiu à desaprovação do autor da história. Mas nesse caso o escritor (Anthony Burgess) foi além, desaprovando não só a versão cinematográfica da obra, como também o próprio texto que serviu de inspiração para o longa.

Apesar de dúbias, as declarações do autor já chegaram a sugerir um certo lamento pelo fato do filme de Stanley Kubrick ter popularizado a história com uma abordagem que em tese não seria a esperada.

“O livro pelo qual eu sou mais conhecido – talvez o único que conheçam, aliás – é um romance que eu estou preparado a repudiar: escrito há um quarto de século, ficou conhecido como a matéria prima para um filme que parece glorificar o sexo e a violência. O filme induziu os leitores à má interpretação da história, e essa confusão vai me perseguir até a morte. Eu não deveria ter escrito o livro por causa do perigo da interpretação errada”, disse.

Ken Kesey/ Um Estranho no Ninho (1975)

Ken Kesey/ Um Estranho no Ninho (1975)

E aqui temos um filme querido não só pelo público, mas também por especialistas do cinema. Prova disso é que a obra conquistou nada menos que cinco Oscars, o que não serviu para convencer Ken Kesey da qualidade da mesma.

O autor que a princípio estava escalado para trabalhar na adaptação, abandonou o trabalho quando começaram as divergências em relação à escalação de ninguém menos que Jack Nicholson, que mais tarde sairia vencedor do Oscar pelo papel.

Kesey preferia na época o ator Gene Hackman e no fim das contas acabou ficando insatisfeito com o ponto de vista do personagem principal da história. Apesar disso, depois de morto sua esposa confidenciou que ele se orgulhava do fato da história ter sido produzida para as telonas, o que não significa, é claro, que gostava da forma que foi retratada.

Stephen King / O Iluminado (1980)

Stephen King / O Iluminado (1980)

Conhecido como um dos grandes nomes do terror nessa atual geração de escritores, Stephen King não gostou (veja só) da adaptação de “O Iluminado”, inspirado no livro homônimo que está na lista de seus maiores best-sellers e foi adaptado para as telonas por ninguém menos que Stanley Kubrick (sim, de novo ele).

Em mais de uma oportunidade o autor já se queixou do resultado da versão cinematográfica de “O Iluminado”. “Eu já admirava o [Stanley] Kubrick há um tempo e tinha grandes expectativas em relação ao projeto, mas o resultado final me desapontou profundamente. Kubrick não conseguiu alcançar o tom de maldade do hotel. Então, ele optou por procurar a maldade nos personagens e transformou o filme numa tragédia doméstica com tons apenas vagamente sobrenaturais”, afirmou em certa ocasião.

“Shelley Duvall como Wendy é uma das opções mais misóginas da história do cinema. Ela está ali basicamente para gritar e ser estúpida, e essa não é a mulher sobre a qual eu escrevi”, disse também.

Winston Groom / Forrest Gump – o Contador de Histórias (1994)

Winston Groom / Forrest Gump – o Contador de Histórias (1994)

Aqui temos uma obra que não só desagradou o criador do livro, como também culminou em uma treta que chegou à instância judicial. Winston Groom entrou com processo contra os produtores do filme para garantir o equivalente a 3% do lucro líquido com a receita do filme, conforme previsto em contrato.

Os executivos responsáveis pela obra, contudo, enxergavam que considerando os custos de produção e publicidade, o longa não havia dado lucro, e o imbróglio seguiu.

No fim das contas, o autor da história sequer foi mencionado nos discursos de agradecimento por aqueles que venceram o Oscar graças ao filme, o que na opinião de muita gente foi uma espécie de retaliação.

Seja como for, o fato é que o livro “Gum and Co” (1995), continuação de “Forrest Gum – O Contador de Histórias”, começou com um sonoro “Jamais deixe alguém fazer um filme sobre a história da sua vida. Quer eles entendam ou não, não importa”.

Alan Moore / Watchmen – O Filme (2009)

Alan Moore / Watchmen – O Filme (2009)

E aqui temos o caso de quem não costuma gostar mesmo de nenhuma das obras adaptadas de suas histórias: Alan Moore. Por isso mesmo, ninguém se surpreende quando ele diz que não gostou da versão de Zack Snyder para “Watchmen – O Filme”.

Em todo caso, porém, nesse caso em específico as atitudes de Moore para com a obra foram um tanto quanto “ácidas”, por assim dizer. Apesar de a obra ter sido aclamada pelo público e pela crítica, ele pediu para que retirassem seu nome de todo material relacionado ao filme e que direcionassem os valores referentes aos direitos autorais para a conta de Dave Gibbons, seu colaborador, que participara ativamente na produção do filme.

Em suas declarações em relação à obra, ele também não mediu palavras. “O cinema moderno dá a comida na boca, o que significa que dilui a imaginação cultural coletiva. É como se nós fôssemos pássaros recém-nascidos olhando pra cima, esperando de boca aberta que Hollywood nos alimente com minhocas regurgitadas”, disse.

“O filme Watchmen soa como minhocas regurgitadas [ele não viu o filme na época do lançamento]. Eu estou cansado de minhocas. Não podemos obter algo diferente? De repente, algo ‘para viagem’? Até as minhocas chinesas já seriam uma mudança”, complementou.


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