R$ 2,5 mil. Este é o prejuízo médio que cada brasileiro vítima de golpes digitais enfrentou em 2025, segundo levantamento da consultoria Silverguard divulgado pelo Valor Econômico. Entre as fraudes que mais cresceram neste ano, o golpe da falsa taxa de entrega se destaca pela sofisticação e pelo uso de informações verdadeiras das vítimas.
O esquema funciona de forma alarmantemente convincente. Criminosos enviam mensagens via SMS ou WhatsApp informando que uma encomenda está retida e necessita do pagamento de uma taxa para liberação. O diferencial desta fraude está nos detalhes: os golpistas possuem dados reais como nome completo, endereço e até fotografias dos produtos adquiridos.
Um caso recente viralizou nas redes sociais quando um usuário recebeu uma mensagem com a imagem exata de sua encomenda internacional, incluindo informações completas na etiqueta. "É algo de dentro vazando", alertou o consumidor em suas redes sociais, destacando a gravidade do problema.

Como os criminosos obtêm informações pessoais
As fontes dessas informações são variadas e preocupantes. Especialistas em segurança cibernética apontam que os dados podem vir de vazamentos em sistemas de transportadoras, empresas parceiras ou até de notas fiscais eletrônicas. Em alguns cenários, há cruzamento dessas informações com dados disponíveis publicamente.
Daniel Barbosa, pesquisador em segurança da informação da ESET Brasil, explica que "muitos dos SMS se referem às vítimas pelo primeiro nome, o que confere ainda mais credibilidade ao golpe caso as pessoas não estejam atentas". A personalização das mensagens torna a fraude particularmente perigosa.
O timing também é estratégico. O golpe explodiu justamente após a implementação da taxa de importação para compras internacionais em agosto de 2024, conhecida popularmente como "taxa das blusinhas". Com consumidores já esperando cobranças legítimas, os criminosos encontraram terreno fértil para suas ações.
Os sinais de alerta que você precisa conhecer
A identificação rápida do golpe pode ser feita observando alguns elementos específicos. Links enviados por mensagem geralmente direcionam para domínios que imitam sites oficiais, mas apresentam pequenas variações no endereço. Enquanto os Correios utilizam exclusivamente o domínio "correios.com.br", os golpistas criam variações como "pedidocorreios.online" ou endereços similares.
A cobrança de taxas de liberação via Pix é outro marcador clássico de fraude. Órgãos oficiais como os Correios e a Receita Federal não realizam cobranças por SMS, WhatsApp ou e-mail. Qualquer solicitação de pagamento imediato por esses canais deve ser tratada como suspeita.
Empresas de segurança cibernética destacam que mensagens com senso de urgência são características comuns. Os criminosos aplicam pressão temporal para que as vítimas tomem decisões rápidas, sem verificar a autenticidade da comunicação. Segundo a Kaspersky, essa tática se intensifica no fim do ano, quando o volume de entregas aumenta e as pessoas estão mais propensas a acreditar em problemas com encomendas.
Proteja-se com medidas simples e eficazes
A principal defesa contra esta fraude é a desconfiança sistemática de mensagens não solicitadas. Rosimeire Rodrigues, radialista de São Paulo, relatou ter recebido um SMS falso dos Correios: "Recebi uma mensagem dizendo que eu tinha uma encomenda retida e deveria pagar uma taxa para liberar a entrega. Achei muito estranho, porque não tinha comprado nada de fora, então pesquisei e não cliquei no link".
O aplicativo oficial dos Correios, disponível para Android e iOS, é a única plataforma segura para rastreamento de encomendas e pagamento de tributos de importação. Através dele, consumidores podem verificar todas as informações sobre suas entregas sem riscos de cair em fraudes.
Para quem realiza compras em plataformas internacionais, acompanhar o rastreamento exclusivamente pelo app oficial evita cobranças ilícitas. Se surgir dúvida sobre alguma cobrança, o ideal é acessar diretamente o site ou aplicativo da empresa responsável pela entrega, digitando o endereço manualmente no navegador.
Especialistas recomendam ainda manter softwares de segurança atualizados. Esses programas realizam varreduras periódicas e eliminam arquivos maliciosos que podem comprometer dispositivos. A autenticação de dois fatores adiciona uma camada extra de proteção às contas digitais, dificultando o acesso de criminosos mesmo que obtenham senhas.
O que fazer se você já caiu no golpe
Vítimas que realizaram pagamentos fraudulentos via Pix devem contatar imediatamente sua instituição financeira. O Mecanismo Especial de Devolução (MED) permite o reembolso em casos comprovados de fraude, mas há prazo: você tem até 80 dias para informar o banco sobre o golpe.
Após receber a reclamação, o banco bloqueia os recursos enviados ao criminoso e inicia uma análise com prazo de sete dias. Se confirmado o golpe, o valor é devolvido em até 96 horas. A agilidade na comunicação com o banco é fundamental para aumentar as chances de recuperação do dinheiro.
O Banco Central ampliou em 2025 os recursos de rastreamento do Pix, permitindo que instituições financeiras acionem o MED de forma mais ágil. Usuários também podem registrar contestações diretamente nos aplicativos bancários, agilizando o processo de recuperação de valores.
Além das medidas imediatas, vítimas devem registrar boletim de ocorrência para contribuir com investigações policiais. Quanto mais denúncias formais forem realizadas, maior a possibilidade de as autoridades identificarem e desarticularem as quadrilhas responsáveis pelos golpes.
Vale lembrar que a sofisticação dessas fraudes não indica falha individual das vítimas. Criminosos investem em técnicas cada vez mais refinadas de engenharia social, explorando a confiança e o medo dos cidadãos. Para se proteger contra fraudes que explodem no fim de ano, a informação e a cautela são as melhores ferramentas disponíveis.

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