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Fraudes explodem no fim de ano: como proteger seu dinheiro

Período natalino concentra pico de ataques digitais. Especialistas alertam para golpes via Pix, boletos falsos e sites fraudulentos.
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R$ 10,1 bilhões. Esse é o valor astronômico que os brasileiros perderam para golpes financeiros em 2024, segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). O número representa um salto de 17% em relação ao ano anterior e acende um alerta vermelho para consumidores que se preparam para as compras de fim de ano, período em que as fraudes costumam se multiplicar.

O cenário se torna ainda mais preocupante quando analisamos a abrangência do problema. De acordo com o Relatório de Identidade e Fraude 2025 da Serasa Experian, metade da população brasileira (51%) foi vítima de algum tipo de fraude no último ano. Desses, 54,2% sofreram prejuízos financeiros efetivos, com a maioria das perdas variando entre R$ 100 e R$ 1 mil.

Fraudes explodem no fim de ano: como proteger seu dinheiro
Créditos: Redação

Cartão de crédito lidera ranking de golpes

O uso indevido de cartões de crédito disparou como o golpe mais frequente em 2024, atingindo 47,9% dos casos registrados. Em segundo lugar aparecem os boletos falsos e transações fraudulentas via Pix, responsáveis por 32,8% das fraudes. O phishing — técnica que utiliza emails ou mensagens fraudulentas para roubar dados — completa o pódio com 21,6% dos registros.

Isaac Sidney, presidente da Febraban, destacou que a maior parte do prejuízo bilionário decorre de fraudes envolvendo canais eletrônicos e cartões de débito. Os golpes via Pix também apresentaram crescimento alarmante de 43% em dois anos, acumulando perdas de R$ 2,7 bilhões apenas neste período.

Wallace Massola, gerente de Soluções de Prevenção à Fraude da TransUnion Brasil, explicou que "a evolução das fraudes exige que as empresas estejam sempre um passo à frente, inclusive ajudando a conscientizar sobre golpes como o vishing". Segundo ele, o objetivo final dos fraudadores permanece o mesmo: "obter informações ou acessos privilegiados para cometer fraudes financeiras".

Idosos são as principais vítimas

A pesquisa da Serasa Experian revelou um padrão preocupante: quanto maior a idade, maior a proporção de vítimas. Na faixa de 18 a 29 anos, 40,8% dos entrevistados relataram terem sido alvos de golpes. Entre pessoas de 30 a 49 anos, o percentual sobe para 51,9%. No grupo acima de 50 anos, impressionantes 57,8% foram vítimas de criminosos.

Essa vulnerabilidade dos mais velhos se explica parcialmente pela menor familiaridade com tecnologias digitais e pelos golpes que exploram justamente a confiança e urgência emocional. Criminosos frequentemente se passam por funcionários de bancos ou familiares em situações de emergência, pressionando as vítimas a tomarem decisões rápidas sem verificação adequada.

Fim de ano: temporada de caça para criminosos

O período de festas natalinas representa o momento ideal para golpistas aplicarem suas fraudes. Segundo a Pesquisa de Intenção de Compras da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 76% dos consumidores brasileiros pretendem comprar presentes neste final de ano, equivalente a 124,3 milhões de pessoas movimentando o comércio.

Daniel Tieppo, especialista em cibersegurança e diretor-executivo da HexaDigital, alertou que "as técnicas usadas pelos golpistas estão cada vez mais sofisticadas e exigem atenção redobrada dos consumidores". A correria típica de dezembro, somada à ansiedade por aproveitar promoções, cria o ambiente perfeito para que criminosos explorem a distração dos compradores.

Um levantamento da OLX mostrou que no primeiro semestre de 2024, 50,4% das fraudes aplicadas estavam relacionadas a falso pagamento, representando aumento de 64% em relação ao ano anterior. O prejuízo total foi de R$ 245 milhões apenas de janeiro a junho.

Inteligência artificial potencializa fraudes

A tecnologia que deveria trazer mais segurança também está sendo usada pelos criminosos para tornar os golpes mais convincentes. A inteligência artificial generativa permite a criação de perfis falsos altamente realistas, projetados para burlar verificações de identidade com dados sintéticos.

As deepfakes — imagens criadas com IA que permitem a sobreposição de rostos e vozes em vídeos — emergem como nova ferramenta nas mãos de golpistas. Sites fraudulentos estão cada vez mais convincentes, copiando visualmente portais confiáveis e usando domínios com pequenas variações que enganam até consumidores atentos.

O relatório da BioCatch revelou que entre 2024 e 2025, os golpes digitais registrados no mundo cresceram 65%, com a América Latina se tornando o epicentro global das fraudes. No Brasil, o impacto financeiro alcançou R$ 4,9 bilhões perdidos apenas em golpes via Pix.

Como se proteger das fraudes

A primeira linha de defesa contra golpes digitais é a desconfiança de ofertas boas demais para serem verdadeiras. Promoções muito abaixo do preço de mercado geralmente escondem tentativas de fraude, especialmente quando enviadas por email, SMS ou mensagens no WhatsApp.

Ao fazer compras online, verifique sempre a autenticidade do site. Evite clicar em links recebidos por mensagem e prefira digitar o endereço diretamente no navegador. Confira se o endereço começa com "https://" e procure pelo cadeado de segurança na barra de navegação.

A autenticação em dois fatores continua sendo uma das defesas mais eficientes. "Mesmo que sua senha seja comprometida, o criminoso dificilmente conseguirá acessar sua conta", afirmou Tieppo. Manter celulares e computadores atualizados também é essencial, pois "a maioria dos ataques bem-sucedidos explora falhas já corrigidas".

Para pagamentos, opte por métodos mais seguros como cartões virtuais, carteiras digitais e plataformas com possibilidade de contestação. Transferências diretas via Pix para pessoas físicas desconhecidas são extremamente arriscadas, e recuperar o dinheiro em caso de golpe é praticamente impossível.

Nunca forneça dados pessoais, senhas ou códigos de segurança por telefone, mesmo que o interlocutor afirme ser de seu banco. Instituições financeiras legítimas não solicitam essas informações por ligação. Em caso de dúvida, encerre a chamada e entre em contato com o banco pelos canais oficiais.

O que fazer se cair em um golpe

Caso seja vítima de fraude, o primeiro passo é registrar imediatamente um boletim de ocorrência. Em seguida, entre em contato com seu banco ou operadora do cartão de crédito para bloquear transações e contestar cobranças indevidas.

Se o golpe envolveu Pix, comunique imediatamente sua instituição financeira. O Banco Central implementou recentemente o Mecanismo Especial de Devolução (MED), que permite o bloqueio cautelar de valores em casos de fraude comprovada, aumentando as chances de recuperação do dinheiro.

A Aliança Nacional de Combate a Fraudes Bancárias e Digitais, lançada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em parceria com a Febraban, atua tanto na prevenção quanto na repressão de golpes e crimes online. Denúncias podem ser feitas através dos canais oficiais das instituições financeiras e órgãos de defesa do consumidor.

Com a proximidade das festas de fim de ano, a palavra-chave é precaução. Como destacou Tieppo, "a melhor defesa é sempre a atenção. Parar alguns segundos para avaliar a oferta faz toda a diferença para evitar prejuízos". Mantenha-se informado sobre as novas modalidades de golpes e compartilhe orientações de segurança com familiares e amigos, especialmente os mais vulneráveis.


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