220 mil novos casos por ano. Esse é o número alarmante de diagnósticos de câncer de pele que o Brasil deve registrar até 2025, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Com a chegada do verão e o aumento das temperaturas, dermatologistas alertam para a necessidade de cuidados redobrados com proteção solar e hidratação cutânea.
O câncer de pele não melanoma lidera as estatísticas oncológicas brasileiras, representando 31,3% de todos os casos da doença no país. A exposição prolongada e repetida aos raios ultravioleta é a principal causa desse tipo de tumor, que tem baixa letalidade mas números expressivos. Entre janeiro e setembro de 2025, foram realizados 7.906 procedimentos cirúrgicos em oncologia relacionados à pele somente no estado analisado.
Raul Cartagena Rossi, dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que o verão intensifica os riscos. "Há uma maior incidência dos índices de radiação solar, que pode aumentar o risco de queimaduras solares, manchas, ressecamentos, fotoenvelhecimento e até mesmo de câncer de pele", afirma o especialista.

Rotina de proteção em três etapas fundamentais
A prevenção eficaz contra os danos solares exige uma abordagem sistemática que vai além do protetor solar. Especialistas recomendam uma rotina de skincare completa, especialmente durante os meses mais quentes.
A primeira etapa é a limpeza diária, essencial para remover impurezas acumuladas pela poluição, oleosidade e células mortas. No verão, quando a transpiração aumenta significativamente, essa higienização previne a obstrução dos poros e o surgimento de acne. Dermatologistas recomendam dois banhos diários com água morna ou fria, evitando temperaturas elevadas que podem remover a camada protetora natural da pele.
A hidratação representa o segundo pilar fundamental. Mesmo com a sensação de umidade característica do verão, o corpo perde mais água através do suor, tornando indispensável o uso de cremes e loções que fortaleçam a barreira cutânea. Para quem tem pele oleosa, produtos em textura gel ou sérum oferecem hidratação sem aumentar a oleosidade.
O terceiro e mais crítico passo é a fotoproteção. O protetor solar deve ter no mínimo FPS 30 e proteger contra raios UVA e UVB. A aplicação correta exige que o produto seja distribuído 30 minutos antes da exposição solar, permitindo a absorção adequada pela pele. A reaplicação a cada duas horas é obrigatória, intervalo que diminui ainda mais em casos de transpiração excessiva ou contato com água.
Manchas e ressecamento: os sinais do dano solar acumulado
As consequências da exposição solar inadequada vão além das queimaduras imediatas. Manchas escuras, de coloração entre castanho e marrom, surgem gradualmente em áreas frequentemente expostas ao sol como face, dorso das mãos, braços, colo e ombros. Essas melanoses solares representam danos que os raios ultravioleta causaram ao longo do tempo.
Vanessa Martins Pinto, dermatologista e professora da Afya Educação Médica, desmistifica uma crença popular. "O bronzeado não é sinal de saúde, mas uma reação da pele a uma agressão solar. A proteção deve ser diária, em todas as estações", esclarece a médica.
O ressecamento cutâneo também se intensifica no verão. A radiação solar acelera a perda de água no tecido cutâneo, enquanto os raios UVA e UVB danificam as fibras de colágeno responsáveis pela sustentação, firmeza e elasticidade da pele. Esse processo, conhecido como fotoenvelhecimento, causa rugas prematuras e perda de luminosidade.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia aponta que uma pele adequadamente hidratada apresenta até 30% menos evidência de linhas finas causadas por ressecamento. Produtos com ácido hialurônico, vitamina E e antioxidantes ajudam a recuperar brilho, uniformidade e elasticidade.
Proteção além do filtro solar
Barreiras físicas complementam a ação do protetor solar e ampliam significativamente a defesa contra radiação. Chapéus de aba larga, óculos escuros com proteção UV certificada e roupas com fator de proteção ultravioleta (FPU) devem fazer parte do kit de verão. Guarda-sóis que efetivamente bloqueiem os raios solares são aliados essenciais em praias e piscinas.
O horário de exposição também merece atenção especial. Entre 10h e 16h, a incidência de raios ultravioleta atinge os picos mais altos, aumentando dramaticamente o risco de queimaduras e danos celulares. Especialistas recomendam evitar atividades ao ar livre nesse período ou, quando inevitável, reforçar todos os métodos de proteção.
Até mesmo dentro de casa a proteção é necessária. A luz azul emitida por telas de celulares e computadores acelera o envelhecimento e pode intensificar manchas, especialmente em pessoas com melasma. Filtros solares com cor criam uma barreira adicional contra a luz visível, além de uniformizar o tom da pele.
Alimentação que protege por dentro
A defesa contra os danos solares começa pelo que colocamos no prato. Alimentos ricos em carotenoides oferecem proteção adicional, pois essas substâncias se depositam na pele e exercem importante ação antioxidante. Cenoura, abóbora, mamão, maçã e beterraba encabeçam a lista de aliados naturais contra os efeitos nocivos do sol.
Frutas vermelhas, cítricas, folhas verdes e legumes coloridos ajudam a neutralizar o estresse oxidativo causado pela radiação solar. Essa estratégia nutricional funciona como proteção de dentro para fora, potencializando os cuidados tópicos com filtros e hidratantes.
A ingestão hídrica também desempenha papel fundamental. No verão, o consumo de água deve ser aumentado substancialmente, acompanhado de sucos de frutas naturais e água de coco. A desidratação sistêmica afeta diretamente a capacidade da pele de manter sua barreira protetora e se recuperar de agressões externas.
Cuidados específicos para cada momento
Após um dia de praia ou piscina, o banho com água doce torna-se obrigatório para remover sal, areia e cloro, substâncias que ressecam a pele e facilitam a formação de fissuras. A aplicação de loção pós-sol ou hidratante logo após o banho, com a pele ainda levemente úmida, maximiza a absorção dos produtos.
Procedimentos estéticos também exigem planejamento no verão. Tratamentos com laser e ácidos devem ser evitados durante a estação mais quente, pois podem causar manchas e queimaduras quando combinados com exposição solar. A depilação com cera precisa ser realizada pelo menos 48 horas antes de qualquer exposição ao sol para prevenir hiperpigmentação.
Laura Salles, coordenadora de Dermatologia do Hospital Orizonti, reforça a importância da vigilância constante. "Observar mudanças na pele e buscar o diagnóstico precoce deve ser uma prática constante. Essa atenção garante um tratamento mais eficaz e reduz drasticamente o risco de complicações", explica a médica.
Quando procurar um especialista
Qualquer alteração suspeita na pele exige avaliação médica imediata. Pintas que mudam de cor, formato ou tamanho, manchas que crescem rapidamente, lesões que sangram sem causa aparente ou feridas que não cicatrizam são sinais de alerta que não devem ser ignorados.
O carcinoma basocelular, tipo mais comum de câncer de pele não melanoma, manifesta-se como feridas que não cicatrizam ou pequenos nódulos brilhantes. Já o carcinoma espinocelular apresenta-se através de lesões ásperas ou crostosas. O melanoma, mais agressivo e com alto potencial de metástase, surge como manchas ou pintas irregulares.
O diagnóstico precoce faz toda a diferença nos índices de cura. A dermatoscopia, exame que permite visualizar estruturas internas da pele, e a biópsia confirmam ou descartam a presença de células cancerosas. Pessoas de pele clara, com histórico familiar de câncer de pele, muitas sardas ou pintas, ou que já sofreram queimaduras solares graves devem manter acompanhamento dermatológico regular.
Invista em produtos de qualidade
O mercado brasileiro oferece opções eficazes e acessíveis de proteção solar. Produtos com toque seco, que evitam o aspecto oleoso característico de muitos filtros, ganharam popularidade entre consumidores de todos os tipos de pele. Versões com cor atendem dupla função: protegem contra radiação ultravioleta e luz visível, além de uniformizar o tom.
A escolha do protetor solar deve considerar o tipo de pele e as atividades planejadas. Para exposição intensa, como praia e piscina, produtos resistentes à água são indispensáveis. Para o dia a dia, versões mais leves em textura gel ou sérum oferecem conforto sem comprometer a eficácia.
Dermatologistas alertam que o preço não deve ser o único critério de escolha, mas produtos dermatologicamente testados com boa relação custo-benefício estão disponíveis por valores acessíveis, muitas vezes abaixo de R$ 40. O investimento em proteção solar adequada previne gastos futuros com tratamentos de manchas, envelhecimento precoce e, principalmente, problemas oncológicos.
A chegada do verão 2025 traz consigo a responsabilidade de proteger o maior órgão do corpo humano. Com rotina adequada de limpeza, hidratação e fotoproteção, aliada a hábitos alimentares saudáveis e vigilância constante, é possível aproveitar a estação com segurança. A prevenção do câncer de pele está ao alcance de todos e começa com escolhas conscientes no dia a dia.

Comentários (0) Postar um Comentário