Topo

Golpe da encomenda com vídeo e IA: como não cair na taxa falsa

Criminosos usam inteligência artificial e vídeos realistas para simular mensagens de transportadoras. Saiba como identificar o golpe antes de pagar qualquer taxa falsa.
Publicidade
Comente

Você recebe uma mensagem no celular. Ela tem logotipo, número de rastreio, até uma foto do seu pacote. Em alguns casos, chega com um vídeo convincente mostrando a encomenda parada num centro de distribuição. A mensagem pede o pagamento de uma taxa para liberar a entrega — e parece completamente real. O problema é que não é.

Esse é o mais novo formato de um golpe da entrega que vem evoluindo rapidamente no Brasil. Criminosos passaram a combinar engenharia social, ferramentas de inteligência artificial e deepfakes para tornar as fraudes quase indistinguíveis das comunicações legítimas. O resultado é um cenário em que até consumidores experientes estão sendo enganados.

Golpe da encomenda com vídeo e IA: como não cair na taxa falsa
Créditos: Redação

Por que esse golpe é diferente dos anteriores

Por muitos anos, mensagens fraudulentas sobre encomendas tinham erros fáceis de perceber: português mal escrito, logotipos distorcidos e links com endereços estranhos. Esse tipo de descuido virou exceção. A nova geração de fraudes usa modelos de linguagem de grande escala — os mesmos que alimentam assistentes de IA — para criar textos impecáveis, personalizados e sem nenhum deslize gramatical.

Publicidade

Segundo dados da Polícia Federal, 42,5% das fraudes financeiras no Brasil já são conduzidas com algum tipo de inteligência artificial. O uso de deepfakes — vídeos e áudios sintéticos que imitam pessoas reais — cresceu 830% entre 2024 e 2025, colocando o país na liderança desse tipo de crime na América Latina. Não é exagero dizer que o golpe da encomenda entrou em uma nova fase.

Os vídeos falsos são o diferencial mais preocupante. Um clipe curto mostrando um "funcionário dos Correios" explicando sobre uma taxa pendente, ou imagens de um galpão logístico com o número da sua encomenda na tela, geram uma credibilidade que nenhum SMS conseguia reproduzir antes. A combinação de dado pessoal real com conteúdo visual fabricado por IA é uma armadilha poderosa.

Como o golpe funciona na prática

A fraude começa com uma mensagem recebida por WhatsApp, SMS ou e-mail. O texto informa que há uma encomenda retida — seja na alfândega, num centro de distribuição ou em trânsito — e que é necessário pagar uma taxa para liberar o pacote. Em muitos casos, a mensagem contém o nome completo da vítima, o CEP e até o número de rastreio real de uma compra feita anteriormente.

Publicidade

Ao clicar no link, o usuário é levado para uma página falsa que imita com precisão o site oficial de uma transportadora. Lá, aparecem informações detalhadas sobre o pedido — às vezes até com foto do pacote — e o pedido de pagamento de uma taxa, geralmente via Pix. O valor costuma ser baixo o suficiente para parecer plausível: entre R$ 9,90 e R$ 39,90.

Após o pagamento, o dinheiro vai direto para a conta dos golpistas. Em alguns casos, a interação com a página falsa também instala um programa malicioso no dispositivo da vítima, permitindo que criminosos acessem senhas bancárias e dados pessoais armazenados no celular ou computador.

O papel dos vídeos e da inteligência artificial

Os Correios já alertaram oficialmente sobre essa evolução das fraudes. Em comunicado publicado no site da empresa, a estatal confirmou que novos golpes utilizam vídeos em redes sociais, criação de perfis falsos e inteligência artificial para disseminar informações enganosas. As mensagens orientam falsamente sobre como regularizar encomendas supostamente retidas e direcionam para páginas que imitam a identidade visual oficial. Você pode conferir o alerta oficial dos Correios para entender os detalhes da orientação da empresa.

A IA generativa permite que golpistas produzam vídeos curtos com locutores sintéticos falando com sotaque regional brasileiro, usando terminologia logística correta e mencionando o nome da vítima. Esses vídeos circulam pelo WhatsApp e pelas redes sociais e são usados tanto para dar credibilidade à mensagem quanto para atrair novas vítimas que não esperavam nenhuma encomenda, mas ficam curiosas sobre o conteúdo.

Outro recurso comum é o uso de perfis falsos verificados em plataformas digitais. Criminosos criam páginas com nomes parecidos com os das transportadoras, acumulam seguidores e publicam conteúdo legítimo por semanas antes de usar o canal para aplicar golpes. Quando a fraude começa, o perfil já tem aparência de autoridade.

Sinais que entregam a mensagem falsa

Mesmo com todo esse nível de sofisticação, o phishing de encomenda ainda deixa pistas. Saber o que observar faz toda a diferença antes de clicar em qualquer link. Confira os principais sinais de alerta:

  • A mensagem chega por WhatsApp ou SMS com link para pagamento — transportadoras não cobram taxas por esses canais
  • O link não usa o domínio oficial da empresa (ex.: correios.com.br); qualquer variação estranha no endereço é sinal de fraude
  • A mensagem cria urgência artificial — frases como "última notificação", "devolução em 24h" ou "restrição no CPF" são manipulação psicológica
  • O pagamento é solicitado via Pix para uma chave pessoal ou conta desconhecida
  • O vídeo tem falhas sutis de sincronização labial, qualidade de áudio artificial ou expressões faciais levemente desproporcionais
  • A página de pagamento não possui endereço com o domínio oficial da transportadora
  • A taxa cobrada é incomumente baixa — uma tática para reduzir a resistência da vítima

O que fazer se você caiu no golpe

Agir rapidamente é essencial. Se o pagamento foi feito via Pix, entre em contato com seu banco imediatamente. A legislação brasileira prevê o Mecanismo Especial de Devolução (MED), que permite o estorno em casos de fraude. O prazo para acionar esse mecanismo é de até 80 dias após a transação, e o banco tem até 7 dias para analisar o caso. Se a fraude for confirmada, o valor deve ser devolvido em até 96 horas.

Registre um boletim de ocorrência na Delegacia de Crimes Cibernéticos do seu estado ou pela plataforma online disponível na maioria dos estados brasileiros. Se dados pessoais foram inseridos na página falsa, monitore seu CPF no Serasa e nos serviços de proteção de crédito para identificar tentativas de abertura de contas ou contratos indevidos. Troque imediatamente as senhas do banco, e-mail e redes sociais se você acessou esses serviços após interagir com a mensagem suspeita.

A SaferNet Brasil oferece uma central de denúncias gratuita para casos de crimes digitais. Fazer a denúncia ajuda a mapear o golpe e pode contribuir para investigações policiais. Compartilhar o ocorrido com amigos e familiares também é uma forma eficaz de proteger outras pessoas.

Como se proteger de forma definitiva

A regra mais importante é simples: nunca rastreie encomendas por links recebidos em mensagens. Sempre acesse diretamente o site ou aplicativo oficial da transportadora digitando o endereço no navegador. Os Correios, por exemplo, recomendam o uso do aplicativo oficial disponível para Android e iOS, onde é possível rastrear pedidos e pagar tributos legítimos com total segurança.

Desconfie de qualquer mensagem com tom de urgência, independente de quão real ela pareça. Criminosos sabem que a pressão psicológica reduz o tempo de análise crítica da vítima. Se a mensagem diz que a encomenda será devolvida em poucas horas, esse senso de urgência é fabricado para impedir que você verifique a informação com calma antes de agir.

Mantenha o sistema operacional e os aplicativos do celular atualizados. Muitos ataques exploram vulnerabilidades corrigidas em versões recentes do software. Ativar a autenticação em dois fatores nas contas bancárias e de e-mail cria uma barreira adicional que dificulta o acesso mesmo que suas senhas sejam comprometidas. Com um pouco de atenção, a maioria desses golpes pode ser identificada antes de causar qualquer dano.


Comentários (0) Postar um Comentário

Nenhum comentário encontrado. Seja o primeiro!

Oi, Bem-vindo!

Acesse agora, navegue e crie sua listas de favoritos.

Entrar com facebook Criar uma conta gratuita 
Já tem uma conta? Acesse agora: