Topo

Vacinação contra gripe: quem ainda precisa ir à UBS antes do prazo

A campanha de vacinação contra a influenza encerra em 30 de maio e os casos estão subindo. Veja quem ainda precisa se vacinar e como se proteger.
Publicidade
Comente

O vírus da influenza está em alta e o relógio corre. A Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe encerra em 30 de maio, e quem ainda não tomou a dose — seja porque esqueceu, adiou ou simplesmente não sabia que fazia parte do grupo prioritário — tem menos de três semanas para resolver isso numa Unidade Básica de Saúde. A vacinação é gratuita, sem agendamento, e leva menos de dez minutos.

O cenário epidemiológico torna a urgência ainda mais concreta. Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) registraram aumento de 42% nas internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associada ao Influenza A (H3N2) nas últimas semanas em relação ao mesmo período do ano anterior. Somente até meados de março deste ano, o país já contabilizava 14,3 mil casos de SRAG notificados, com cerca de 840 óbitos.

Vacinação contra gripe: quem ainda precisa ir à UBS antes do prazo
Créditos: Redação

Por que a gripe deste ano merece mais atenção

A gripe não é um resfriado forte. Causada pelo vírus Influenza — especialmente pelos subtipos A (H1N1 e H3N2) e B —, a doença pode evoluir para pneumonia, insuficiência respiratória e até óbito em questão de dias. Enquanto um resfriado comum dura dois ou três dias com sintomas leves, a gripe pode derrubar o paciente por uma semana inteira, com febre alta, dor muscular intensa, prostração e tosse seca. Se tiver dúvida sobre qual das duas está te afetando, vale conferir o artigo sobre diferença entre alergia e resfriado para entender melhor os sinais.

Publicidade

O subtipo H3N2 em circulação neste ciclo chama atenção pela intensidade dos sintomas nas primeiras 48 horas. Além dos sinais clássicos, ele pode provocar calafrios, vômito e diarreia — sintomas menos comuns em outros subtipos — o que aumenta o risco de desidratação, especialmente em crianças e idosos. A vacinação anual é a resposta mais eficaz porque o vírus muta constantemente, e a fórmula de cada campanha é ajustada para combater as cepas em circulação no hemisfério sul.

Quem deve correr para a UBS agora

O Ministério da Saúde estabelece mais de 20 grupos prioritários para a campanha. O núcleo desse público é formado por pessoas que apresentam maior risco de complicações graves, internações e óbito. Conhecer quem está nessa lista é o primeiro passo para agir antes que o prazo expire.

  • Crianças de 6 meses a menores de 6 anos
  • Idosos com 60 anos ou mais
  • Gestantes e puérperas (mulheres até 45 dias após o parto)
  • Pessoas com doenças crônicas (diabetes, hipertensão, doenças cardíacas, renais, pulmonares, imunossupressão)
  • Trabalhadores da saúde
  • Professores de escolas públicas e privadas
  • Povos indígenas a partir de 6 meses de idade
  • Pessoas com deficiência permanente
  • Caminhoneiros e motoristas de transporte coletivo
  • Adolescentes e jovens de 12 a 21 anos em medidas socioeducativas
  • População privada de liberdade e funcionários do sistema prisional

Além desses grupos, a vacina está disponível para toda a população a partir de 6 meses de idade — uma ampliação importante que busca elevar a cobertura geral e frear a transmissão comunitária do vírus antes do inverno.

Como funciona o esquema vacinal e o que levar

Publicidade

Para a maioria das pessoas, a dose é única. A exceção são as crianças entre 6 meses e 8 anos que nunca foram vacinadas contra a gripe: elas precisam receber duas doses, com intervalo mínimo de quatro semanas. Quem já foi vacinado em campanhas anteriores recebe apenas uma dose, independentemente da faixa etária.

Para se vacinar, basta comparecer à UBS mais próxima com documento de identificação com foto. Leve também a caderneta de vacinação, se tiver, e o cartão do SUS. Não é necessário agendamento. O atendimento acontece de segunda a sexta-feira, e em muitos municípios também aos sábados em unidades integradas. Pessoas com febre no dia da aplicação devem aguardar a melhora antes de tomar a dose.

A vacina disponibilizada pelo SUS é a trivalente inativada, ou seja, feita com vírus mortos — o que significa que ela não pode causar gripe. A formulação protege contra os três subtipos que mais circularam no hemisfério sul no ciclo anterior: H1N1, H3N2 e Influenza B. Reações são geralmente leves e passageiras, como dor no local da aplicação e leve cansaço nas primeiras horas.

O que os números revelam sobre a cobertura vacinal

O Ministério da Saúde distribuiu mais de 51,3 milhões de doses da vacina contra a gripe para estados e o Distrito Federal. A meta é vacinar 90% do público-alvo — um universo de mais de 81,6 milhões de brasileiros. No Dia D, realizado em 28 de março, foram aplicadas 1,6 milhão de doses em todo o país em um único dia, sendo 94% destinadas aos grupos prioritários.

Mesmo com esse ritmo expressivo de início, a cobertura vacinal em muitos municípios ainda está abaixo do esperado. Em algumas capitais, a adesão entre crianças e gestantes ficou bem abaixo da meta na primeira metade da campanha — o que preocupa especialistas justamente porque esses grupos são os mais vulneráveis a formas graves da doença. Quanto maior a cobertura, menor a pressão sobre hospitais e UPAs durante os meses de pico do inverno.

Cuidados complementares que reforçam a proteção

A vacina é a principal linha de defesa, mas não é a única. O vírus da influenza se espalha por gotículas respiratórias expelidas ao falar, tossir ou espirrar — o que torna os ambientes fechados, lotados e mal ventilados pontos de risco elevado. Durante a temporada de gripe, alguns hábitos fazem diferença concreta na prevenção.

  • Lavar as mãos com frequência com água e sabão por pelo menos 20 segundos
  • Usar álcool em gel quando não for possível lavar as mãos
  • Evitar tocar olhos, nariz e boca com as mãos sem higienizá-las antes
  • Cobrir o nariz e a boca ao tossir ou espirrar, de preferência com o cotovelo
  • Ventilar os ambientes internos sempre que possível
  • Evitar contato próximo com pessoas com sintomas gripais
  • Ficar em casa ao apresentar sintomas, para não contaminar outras pessoas

Manter a imunidade em dia também conta. Sono adequado, hidratação, alimentação variada e atividade física regular contribuem para que o organismo responda melhor à vacinação e resista com mais eficiência a infecções. Um bom ponto de partida é entender quais exames incluir no check-up médico para cada fase da vida, garantindo que outras condições de saúde estejam controladas antes do inverno.

Atenção à automedicação e ao uso de xaropes

Com o aumento dos casos de gripe, cresce também o risco da automedicação. É tentador pegar o xarope que sobrou na farmacinha de casa ou comprar um antitussígeno sem receita, mas essa prática pode ser perigosa. A Anvisa emitiu recentemente um alerta sobre medicamentos com substâncias que oferecem risco cardíaco — e entender esse cenário é fundamental para não se expor desnecessariamente. Para saber mais, vale conferir o artigo sobre xarope proibido pela Anvisa e como verificar o que está na sua casa.

No caso da gripe, o tratamento com antivirais como o oseltamivir (Tamiflu) só é indicado para casos com fatores de risco de complicação, e deve ser iniciado preferencialmente nas primeiras 48 horas dos sintomas. Para a maioria dos casos, o manejo é sintomático: repouso, hidratação, antitérmicos para controlar a febre e acompanhamento médico se os sintomas piorarem. Nunca use antibióticos para tratar gripe — a doença é viral e esse tipo de medicamento não tem nenhum efeito contra o Influenza. Em caso de dúvida, consulte o portal oficial do Ministério da Saúde para informações atualizadas sobre a campanha, postos de vacinação e orientações clínicas.


Comentários (0) Postar um Comentário

Nenhum comentário encontrado. Seja o primeiro!

Oi, Bem-vindo!

Acesse agora, navegue e crie sua listas de favoritos.

Entrar com facebook Criar uma conta gratuita 
Já tem uma conta? Acesse agora: