Topo

Grávidas podem passar a roncar por causa de peso e alterações hormonais

Especialistas explicam por que o sintoma pode surgir na gestação e quando exige avaliação médica.
Publicidade
Comente

Mesmo mulheres que nunca roncaram ao longo da vida podem passar pela experiência durante a gravidez. Segundo dados divulgados pela American Thoracic Society (ATS), o sintoma pode atingir até metade das gestantes, sobretudo a partir do segundo e do terceiro trimestres.

O quadro é considerado comum e, na maioria das vezes, está associado às transformações físicas e hormonais próprias do período, sem necessariamente indicar um problema grave. Para mulheres que já apresentam histórico de distúrbios respiratórios do sono (DRS), os sintomas podem se intensificar. Em outros casos, o ronco surge pela primeira vez durante a gravidez.

Grávidas podem passar a roncar por causa de peso e alterações hormonais
Créditos: Freepik

Os DRS abrangem alterações que variam do ronco simples à apneia obstrutiva do sono, condição marcada por pausas respiratórias, ronco alto e queda nos níveis de oxigênio no sangue, e ocorrem quando as vias aéreas superiores ficam bloqueadas ou estreitadas, o que restringe o fluxo de ar para os pulmões durante o repouso.

Publicidade

De acordo com a entidade estadunidense, entre os fatores associados a esses distúrbios está a obesidade. O ganho de peso ao longo da gestação e a redução da atividade física podem contribuir para o aparecimento ou agravamento da apneia.

Outro fator apontado pela associação é o aumento dos níveis hormonais, especialmente o estrogênio. A elevação favorece maior vascularização e inchaço dos tecidos das vias nasais e da garganta. Como consequência, gestantes podem apresentar congestão nasal e coriza persistentes, mesmo sem estarem resfriadas ou com alergias, o que pode levar a alterações respiratórias durante o sono.

O ginecologista e obstetra Wesley Yovera afirma, em publicação nas redes sociais, que durante a gestação, o corpo retém mais líquidos, o que também provoca inchaço nas vias respiratórias e reduz o espaço para a passagem do ar.

“Os hormônios aumentam a vascularização do nariz, o que causa congestão e sensação de nariz entupido o tempo todo. Quando a mulher deita, esse bloqueio fica mais evidente. E aí vem o ronco”, explica.

Necessidade de avaliação

O médico também orienta que, se o ronco for constante, intenso ou acompanhado de pausas na respiração, é importante investigar a possibilidade de apneia do sono, já que a condição pode interferir na oxigenação do bebê.

Essa avaliação deve começar durante o pré-natal, considerando a especialidade do médico obstetra como referência para identificar sinais de alerta e definir a necessidade de exames complementares.

De acordo com a ATS, a apneia obstrutiva do sono costuma ser diagnosticada por meio da polissonografia, exame que pode ser realizado em centros especializados, com acompanhamento durante a noite, ou em casa, com o uso de monitor portátil. Durante a avaliação, são registrados parâmetros como esforço respiratório, frequência cardíaca, atividade cerebral, estágios do sono e níveis de oxigênio no sangue.

Dependendo dos achados clínicos e dos resultados do exame, o obstetra pode considerar os motivos para procurar um otorrinolaringologista, sobretudo quando há suspeita de obstruções anatômicas nasais ou faríngeas que contribuam para o quadro respiratório.

Alerta para doenças cardiometabólicas

Publicação da Rede D’Or São Luiz chama atenção para a importância de que gestantes com sintomas de DRS, como ronco frequente, pausas na respiração e sonolência excessiva durante o dia, procurem avaliação médica.

Segundo a instituição, os sintomas podem estar associados ao aumento do risco de doenças cardiometabólicas, como hipertensão arterial, diabetes e obesidade. A rede hospitalar destaca dois estudos que abordam essa associação.

Um deles é a pesquisa conduzida na Austrália com mais de mil gestantes, que aponta que mulheres com DRS apresentaram risco 50% maior de desenvolver hipertensão arterial durante a gravidez e risco 30% maior de diabetes gestacional.

Já o outro estudo, realizado nos Estados Unidos com mais de duas mil participantes, mostrou que gestantes com DRS tiveram risco 20% maior de desenvolver obesidade após o parto.

Embora os mecanismos envolvidos ainda não estejam completamente esclarecidos, a instituição aponta que as interrupções na respiração durante o sono podem provocar alterações nos níveis de hormônios e outras substâncias no organismo capazes de favorecer o desenvolvimento dessas doenças.

Pensando nisso, a Rede D’Or São Luiz destaca que o diagnóstico precoce dos DRS durante a gestação é relevante porque permite adotar medidas para reduzir riscos à mãe e ao bebê. Entre as condutas que podem ser indicadas estão mudanças no estilo de vida, como controle do ganho de peso, prática regular de atividade física, além de evitar álcool e tabaco.

Em alguns casos, também pode ser recomendado o uso de dispositivos que auxiliam a respiração durante o sono, conforme avaliação médica individualizada.

Estratégias podem ajudar a reduzir o ronco durante a gestação

Se o ronco relacionado à gravidez estiver afetando a qualidade do sono ou gerando desconforto, há medidas que podem ajudar a amenizar o problema, como informa o artigo publicado pela SleepFoundation.org, revisado clinicamente pela ginecologista e obstetra Maya Nambisan.

Entre as recomendações está a elevação da parte superior do corpo durante o repouso. Em vez de apoiar apenas a cabeça, a orientação é elevar levemente a cabeceira da cama ou utilizar travesseiros que sustentem o tronco, o que pode contribuir para manter as vias aéreas mais abertas ao longo da noite.

O uso de tiras nasais, lavagens com solução salina e dilatadores nasais também é citado como alternativa para facilitar a respiração pelo nariz e reduzir o ronco. Além disso, há orientação para manter um peso saudável. Embora o aumento seja esperado durante a gestação, permanecer dentro da faixa indicada pode diminuir a probabilidade de agravamento dos distúrbios respiratórios do sono.

A fundação também destaca a importância de adotar uma boa higiene do sono. Dormir horas suficientes, evitar cochilos prolongados ao longo do dia, reduzir o consumo de cafeína e não realizar refeições pesadas antes de deitar estão entre as orientações.


Comentários (0) Postar um Comentário

Nenhum comentário encontrado. Seja o primeiro!

Oi, Bem-vindo!

Acesse agora, navegue e crie sua listas de favoritos.

Entrar com facebook Criar uma conta gratuita 
Já tem uma conta? Acesse agora: