Diferentes estudos mostram que a psicologia do consumidor tem sido um fator determinante nas tendências de moda praia, influenciando diretamente a concepção de novas coleções. O comportamento de compra, antes focado majoritariamente na estética, agora reflete estados emocionais e uma maior racionalidade financeira.
Dessa forma, dois movimentos têm se destacado: a busca por peças que alteram positivamente o humor, conhecida como "dopamine dressing" (moda dopamina, em tradução), e a preferência por itens multifuncionais, impulsionada por um consumo mais consciente e ancorada em estudos sobre o impacto das cores nas emoções.
Pesquisa realizada pela Faculdade de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), este ano, associa o uso de roupas em tons quentes, como vermelho e laranja, à maior disposição. Essa percepção psicológica influencia a decisão de comprar biquíni estampado ou peças de cores vibrantes, vistas como ferramentas para melhorar o estado de espírito.
Paralelamente, o consumidor demonstra maior planejamento na hora de comprar. Relatório da Euromonitor International mostra que 72% dos consumidores estavam preocupados com o custo de itens essenciais em 2024, e apenas 18% relataram compras frequentes por impulso. Na prática, o comportamento influencia a busca por um maiô para comprar que ofereça versatilidade, como o uso da peça no ambiente urbano.

Efeito dopamina no vestuário
A tendência dopamine dressing é baseada no conceito de usar roupas para influenciar positivamente o humor. O nome referencia a dopamina, um neurotransmissor associado a sensações de prazer e recompensa. No contexto da moda, isso se traduz na escolha de tons vibrantes, como amarelo, laranja, rosa e roxo, como mostram os estudos na área.
A pesquisa científica “Moda e cor: o impacto psicológico das cores no comportamento e nas emoções”, publicada na Revista Foco, detalha como as cores impactam as emoções. O estudo aponta que cores quentes, como vermelho e amarelo, são relacionadas à energia, excitação e alegria. Em contrapartida, cores frias, como azul e verde, tendem a evocar calma e introspecção.
O impacto não é apenas perceptivo, mas também fisiológico. Segundo o mesmo estudo, tonalidades vibrantes como o vermelho podem aumentar a pressão arterial, enquanto o azul tende a reduzir a frequência cardíaca e induzir tranquilidade. A indústria da moda utiliza esses gatilhos psicológicos para atender a um consumidor que busca não apenas se vestir, mas também gerenciar seu bem-estar emocional através de suas escolhas.
Consumo consciente e moda multifuncional
Em oposição ao impulso emocional das cores, uma segunda tendência psicológica ganha força: o consumo consciente e planejado. Impulsionado pela instabilidade econômica e pela preocupação com custos, o consumidor busca maximizar o valor de cada peça adquirida.
Relatórios de tendências indicam uma repriorização de gastos. Levantamento da Kantar, publicado este ano, revela que consumidores tendem a substituir produtos premium por opções mais acessíveis ou optar por embalagens econômicas. No vestuário, essa mentalidade se traduz na busca por durabilidade e, principalmente, multifuncionalidade.
Na moda praia, isso é visto na popularização de maiôs desenhados para funcionar como bodys em composições urbanas, ou em biquínis mix-and-match (misture e combine), que permitem múltiplas variações com menos itens. A peça deixa de ter um propósito único e passa a ser um investimento versátil no guarda-roupa.
A convergência dessas duas tendências, a busca por bem-estar (dopamina) e a racionalidade (custo-benefício), define o consumidor atual. Segundo a fundadora e CEO da oficina de soluções corporativas EDR, Andrea Eboli, a mudança no comportamento é clara.
“O consumidor moderno está cada vez mais atento à relação custo-benefício, exigindo soluções que realmente atendam às suas necessidades. Esse movimento está forçando as empresas a repensarem desde os produtos até a maneira como se comunicam”, disse em entrevista à imprensa.

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