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Power bank no avião: As novas regras que você precisa saber

A ANAC publicou novas regras para o transporte de power banks em voos. Limite de unidades, capacidade em Wh e proibições que podem pegar muita gente de surpresa no embarque.
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Quem tem o hábito de viajar de avião com um carregador portátil no bolso da mochila vai precisar prestar mais atenção daqui para frente. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) publicou, no Diário Oficial da União, uma atualização das regras para o transporte de power banks a bordo de aeronaves — e as mudanças já estão em vigor. O timing não é casual: nos últimos meses, ao menos dois incidentes graves envolvendo baterias portáteis forçaram pousos de emergência no Brasil.

A revisão consta na Instrução Suplementar nº 175-001, Revisão M, que trata do transporte aéreo de artigos perigosos, e incorpora diretrizes atualizadas da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI). A medida alinha o país às práticas já adotadas nos Estados Unidos e na Europa, onde agências como a FAA e a EASA impõem restrições semelhantes há mais tempo.

Power bank no avião: As novas regras que você precisa saber
Créditos: Redação

Por que a ANAC resolveu agir agora

Dois episódios recentes aceleraram a decisão da agência. O primeiro aconteceu em janeiro, quando um power bank explodiu a bordo de um voo que saía de São Paulo com destino a Brasília — o piloto foi obrigado a desviar a rota e pousar de emergência em Ribeirão Preto. O segundo ocorreu meses depois, em agosto de 2025, durante um trajeto entre São Paulo e Amsterdã, quando outro carregador portátil pegou fogo na cabine.

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Esses incidentes escancararam um risco que cresceu junto com o hábito de viajar conectado. Baterias de lítio podem superaquecer por defeito de fabricação, dano físico ou mau uso — e quando isso acontece num avião em altitude de cruzeiro, a tripulação tem pouquíssimas opções para conter o fogo. Daí a urgência em regulamentar o que pode ou não entrar a bordo.

O que mudou de fato: as três faixas de capacidade

A norma divide os power banks em três categorias de acordo com a capacidade em Wh (watt-hora), a unidade técnica adotada pela aviação internacional — diferente dos mAh que aparecem nas embalagens dos produtos vendidos no varejo brasileiro. Entender essa diferença é o primeiro passo para não ser surpreendido na fila do embarque.

  • Até 100 Wh: liberado sem restrições. É a faixa em que se encaixa a esmagadora maioria dos power banks vendidos no Brasil. Um modelo de 20.000 mAh com tensão nominal de 3,7 V tem, aproximadamente, 74 Wh — dentro do limite.
  • Entre 100 Wh e 160 Wh: permitido, mas exige autorização prévia da companhia aérea. O passageiro precisa consultar a empresa antes de ir ao aeroporto.
  • Acima de 160 Wh: proibido, sem exceção. Equipamentos nessa faixa deverão ser descartados antes do embarque.

Além do limite de capacidade, cada passageiro passou a poder carregar, no máximo, dois power banks. Eles devem estar protegidos contra curto-circuito, com os terminais devidamente isolados ou acondicionados na embalagem original do fabricante.

Como calcular se o seu power bank está dentro do limite

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Muitas pessoas olham para o próprio carregador e não encontram a informação em Wh — apenas o valor em mAh. A conta, ainda que aproximada, é relativamente simples: multiplique a capacidade em Ah (divida os mAh por 1.000) pela tensão nominal da bateria, que costuma ser 3,7 V. Um power bank de 30.000 mAh ficaria em cerca de 111 Wh — acima do limite livre, o que já exigiria autorização da companhia.

A ANAC recomenda priorizar equipamentos que tragam a informação em Wh impressa no produto. Dispositivos genéricos, sem certificação ou sem identificação clara, podem ter a capacidade real diferente do que está na embalagem — e, em caso de dúvida na triagem, a decisão final fica com a companhia aérea ou com o agente de segurança aeroportuária.

Se você ainda não sabe em qual faixa o seu aparelho se enquadra, consulte o manual ou o site do fabricante. Evite checar isso só na fila do check-in: a viagem bem planejada começa antes de chegar ao aeroporto, e esse detalhe pode custar tempo — ou o próprio carregador.

O que está proibido dentro da aeronave

A nova norma também regulamenta o uso do power bank durante o voo — e aqui mora uma das mudanças que mais vai afetar o cotidiano de quem viaja a trabalho. A ANAC proíbe expressamente recarregar o power bank a bordo da aeronave. Ou seja, mesmo que o assento tenha tomada elétrica ou entrada USB, conectar o carregador portátil para recarregá-lo durante o voo não é mais permitido.

A lógica é clara: o processo de carga é justamente quando a bateria de lítio está mais suscetível a falhas e superaquecimento. Em altitude de cruzeiro, qualquer princípio de incêndio na cabine representa risco imediato para todos a bordo. Por isso, embarque com o power bank já carregado e evite conectá-lo às fontes de energia do avião.

A agência também recomenda — mas sem caráter proibitivo — que os passageiros evitem usar o power bank para carregar celulares, tablets ou outros eletrônicos durante o voo. Tecnicamente, esse ponto ainda é uma orientação, não uma proibição formal. Mas levando em conta o contexto, a prudência fala mais alto. Confira também o que os comissários de bordo recomendam para quem viaja em voos longos — algumas dicas simples podem mudar completamente a experiência.

O que fazer se você tiver um power bank na faixa intermediária

Passageiros com carregadores entre 100 Wh e 160 Wh precisam entrar em contato com a companhia aérea antes do dia do embarque. Cada empresa tem autonomia para adotar regras mais restritivas do que as da ANAC, com base nas próprias avaliações de risco operacional. Isso significa que o que é permitido na LATAM pode ser negado na Gol ou na Azul — e vice-versa.

A recomendação da ANAC é que o passageiro consulte diretamente a empresa, preferencialmente com antecedência de pelo menos 48 horas. Não leve para o aeroporto na esperança de resolver na hora: equipamentos que não atendam às exigências podem ser retidos, e o passageiro não tem direito a reembolso pelo item descartado.

Bagagem despachada: power bank nunca pode ir no porão

Um ponto que já existia na norma anterior — mas que agora foi reforçado — é a proibição de transportar power banks no bagageiro do porão. Eles devem ir exclusivamente na bagagem de mão, dentro da cabine, onde a tripulação possa agir rapidamente caso ocorra alguma falha. Essa regra não é nova, mas volta a chamar atenção porque muita gente ainda a desconhece ou esquece.

A razão é técnica: no porão, um eventual princípio de incêndio demora mais para ser detectado e é praticamente impossível de ser controlado com os recursos disponíveis durante um voo. Nas cabines, os comissários têm acesso a extintores específicos para baterias de lítio e podem agir em segundos. Então a regra é simples: power bank vai na mão, nunca no despacho.

Para quem viaja com frequência e quer entender melhor como otimizar voos com paradas, entender a diferença entre escala, conexão e stopover pode ajudar a planejar trajetos mais longos com mais segurança e economia. E agora, com as novas regras do power bank, essa preparação prévia faz ainda mais sentido.

Em resumo, a mudança é um reflexo do mundo em que vivemos: cada vez mais dependentes de dispositivos eletrônicos, mas num ambiente — a cabine de um avião — onde os riscos de uma falha são extraordinariamente altos. Quanto mais cedo o passageiro entender as regras, menor a chance de ter uma surpresa desagradável bem na hora em que mais precisa de energia.


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