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As leis ‘doidonas’ pelo mundo que pegariam de surpresa qualquer brasileiro

De Singapura à Inglaterra, descubra regras que vão do absurdo ao tragicômico e entenda os contextos históricos dessas normas peculiares.
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Direto ao Ponto:

  • Singapura proíbe mascar chiclete desde 1995 com multa de US$ 100 mil
  • Na Suíça, dar descarga após as 22h pode gerar multa pesada
  • Inglaterra veta mortes dentro do Parlamento desde 1313
  • Coreia do Norte pune quem corta estátuas dos líderes em fotos
  • Japão limita medida da cintura de cidadãos entre 40 e 74 anos

Mais de 181 mil leis regulamentam a vida dos brasileiros, mas esse número impressionante fica pequeno diante da quantidade de normas espalhadas pelo planeta. Entre tantas regras que governam o cotidiano das pessoas, algumas legislações chamam atenção pela extravagância — e fariam qualquer turista brasileiro questionar a sanidade dos legisladores locais.

De proibições envolvendo chicletes e descargas a restrições sobre mortes em prédios públicos, o mundo jurídico reserva surpresas que vão do absurdo ao tragicômico. Muitas dessas leis nasceram de contextos históricos específicos, enquanto outras simplesmente desafiam qualquer lógica aparente.

As leis ‘doidonas’ pelo mundo que pegariam de surpresa qualquer brasileiro
Créditos: Redação

Ásia: onde a tecnologia encontra o inusitado

Singapura lidera o ranking de legislações peculiares. Desde 1995, o país proíbe a venda e consumo de chicletes em todo o território nacional. A medida radical surgiu após as autoridades constatarem que as gomas de mascar estavam sujando vias públicas e sistemas de transporte. Quem desrespeita a regra enfrenta multa de US$ 100 mil e até dois anos de prisão.

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Mas a cidade-estado asiática não parou por aí. A legislação local também veta comer durian — uma fruta tropical conhecida pelo odor fortíssimo — em locais públicos. Outra norma determina que dar descarga no banheiro é obrigatório, sob pena de punição. Fazer xixi em elevadores? Nem pensar.

Na Coreia do Sul, a obsessão tecnológica resultou em uma lei surpreendente: todos os smartphones vendidos no país são obrigados a emitir som ao tirar fotos. A medida visa combater a prática de fotografar pessoas sem consentimento no metrô de Seul, onde grupos publicavam imagens comprometedoras de desconhecidos na internet. Turistas estrangeiros cujos aparelhos permitam desligar o som do obturador podem ser multados.

Já a Coreia do Norte impõe regras ainda mais severas. O regime proíbe qualquer tipo de "desrespeito" às imagens dos líderes Kim Jong-Un, Kim Jong-Il e Kim Il-Sung. Isso inclui arrancar pôsteres de propaganda, sair do país com moedas locais e até fotografar estátuas sem capturar o corpo inteiro das figuras. As consequências para infratores podem ser desastrosas.

No Japão, o governo decidiu em 2008 combater a obesidade de forma direta: estabeleceu limites para a medida da cintura de cidadãos entre 40 e 74 anos. A exceção fica por conta dos lutadores de sumô. O país mantém um dos menores índices de obesidade do mundo, com apenas 3,7% da população acima do peso.

A China, por sua vez, possui uma das legislações mais controversas: salvar alguém que está se afogando pode ser considerado imoral. Para o governo chinês, ninguém deve intervir no destino de outra pessoa — uma crença fundamentada em princípios filosóficos locais.

Europa: tradição e excentricidade andam juntas

A Inglaterra mantém viva desde 1313 uma determinação curiosa: morrer dentro do Parlamento Britânico é proibido. O decreto do Rei Edward II tinha um motivo prático — qualquer pessoa que falecesse no palácio real teria direito a funeral com honras de estado, algo que o monarca queria evitar. Tecnicamente, quem desrespeita a regra pode até ser preso, mesmo depois de morto.

Na Suíça, o silêncio é levado tão a sério que até as necessidades fisiológicas têm horário. Dar descarga no vaso sanitário após as 22h é considerado perturbação da paz e pode resultar em multa. A lei do silêncio suíça determina que nada deve atrapalhar a tranquilidade dos vizinhos — nem mesmo a natureza humana.

A Noruega criou uma das regras mais macabras: em Longyearbyen, cidade localizada no arquipélago de Svalbard, morrer é tecnicamente ilegal. Pessoas gravemente doentes são obrigadas a deixar a localidade. O motivo é geológico — o permafrost (gelo permanente) impede a decomposição dos corpos, atraindo ursos polares para áreas habitadas.

Na França, batizar porcos com o nome de Napoleão Bonaparte é proibido, uma homenagem ao líder histórico que perdura até hoje. O país também obriga que 70% das músicas tocadas nas rádios entre 8h e 20h sejam em francês, numa tentativa de preservar a cultura nacional.

A Dinamarca adotou uma abordagem única para proteger as crianças: existe uma lista pré-aprovada de nomes para bebês. Pais que desejam escolher um nome fora da lista precisam obter autorização governamental. A intenção é evitar que as crianças sofram constrangimentos futuros por causa de escolhas parentais questionáveis.

Américas: do absurdo ao incompreensível

Os Estados Unidos são campeões mundiais em leis bizarras, graças ao sistema federativo que permite grande autonomia para estados e municípios legislarem. Em Columbia, Carolina do Sul, cantar no chuveiro é crime. A mesma cidade proíbe estourar bexigas na rua e dormir dentro de congeladores.

No Alabama, carregar sorvete no bolso de trás da calça é ilegal em qualquer época do ano. Já em Lexington, Kentucky, passear com sorvete de casquinha dentro da bolsa é expressamente proibido. Nova York tem regra semelhante, mas apenas aos domingos.

Denver, no Colorado, estabeleceu que emprestar o aspirador de pó aos vizinhos é prática ilegal. O código penal do município não registra o motivo da proibição. Na Califórnia, especificamente na cidade de Blythe, usar botas de cowboy só é permitido para quem possui pelo menos duas vacas.

No Canadá, além de ser obrigatório que 35% do conteúdo nas rádios seja de artistas canadenses, existem outras regras peculiares. Em Ottawa, chupar picolé no domingo atrás de um banco é proibido. Na província de Alberta, presidiários recém-libertados têm direito de pedir uma arma carregada e um cavalo para deixar a cidade — tradição que remonta ao Velho Oeste.

A Rússia aplica multas para quem dirige carros sujos desde 2006. Embora a lei não especifique o grau de sujeira necessário para punição, pesquisa local revelou que 46% da população considera um carro sujo quando a placa está coberta de sujeira.

Quando o Brasil também surpreende

Antes de rir das leis estrangeiras, vale lembrar que o Brasil também tem suas excentricidades. Em 1984, a cidade paulista de Rio Claro proibiu o consumo de melancia, alegando que a fruta transmitia tifo e febre amarela. Um ano depois, a mesma cidade determinou que ter formigueiros em casa resultaria em multa de 2,5% do salário mínimo.

Essas normas municipais brasileiras mostram que a criação de leis absurdas não é exclusividade de outros países. Muitas delas foram escritas no século passado e esquecidas com o tempo, enquanto outras entraram em vigor recentemente e seguem vigentes.

A existência dessas legislações inusitadas reflete não apenas as peculiaridades culturais de cada sociedade, mas também como diferentes povos abordam questões do cotidiano. Algumas leis nasceram de necessidades reais — como a proibição de morrer em Longyearbyen por causa dos ursos polares. Outras simplesmente desafiam qualquer tentativa de explicação racional.

Para quem planeja viajar pelo mundo, conhecer essas regras pode evitar surpresas desagradáveis. Afinal, desconhecer a lei não isenta ninguém de cumpri-la — mesmo quando ela parece ter saído de um roteiro de comédia. Se quiser conhecer mais curiosidades bizarras que você provavelmente não sabia, o mundo está repleto de histórias que misturam tradição, lógica questionável e bom humor involuntário.


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