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Tera, Creta e T-Cross: a ascensão dos SUVs compactos no Brasil

Descubra por que Tera vendeu 10 mil unidades em outubro e como a preferência por SUVs está mudando o mercado brasileiro.
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1.235 unidades em apenas dois dias. Esse número marcou a vitória do Chevrolet Onix no início de dezembro de 2025, consolidando o hatch como o carro mais desejado pelos brasileiros no fim do ano. Os dados da Fenabrave mostram um crescimento de 42,6% na média diária de vendas comparado a novembro, evidenciando a força do modelo que domina as ruas do país há mais de uma década.

O desempenho do Onix reflete uma transformação profunda no mercado automotivo nacional. Enquanto o hatch da Chevrolet briga pela liderança mensal, os SUVs compactos protagonizam uma revolução silenciosa nas concessionárias brasileiras. Segundo levantamento da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, os utilitários esportivos alcançaram impressionantes 58,5% das vendas totais em janeiro de 2025, deixando para trás hatches e sedãs.

O Volkswagen Tera surge como grande surpresa deste cenário. Lançado há poucos meses, o SUV subcompacto da marca alemã conquistou 729 unidades vendidas até o segundo dia de dezembro, repetindo o sucesso de meses anteriores. Em outubro, o modelo alcançou 10.161 emplacamentos, garantindo o topo do ranking nacional de SUVs. A estratégia da Volkswagen de apostar em um utilitário com bom espaço interno, tecnologia atualizada e preço competitivo mostrou-se certeira.

A força do Tera fica ainda mais evidente quando comparada ao desempenho do irmão mais velho. O Volkswagen T-Cross, apesar de ter caído para terceiro lugar em dezembro com 722 unidades, mantém sua posição de SUV mais vendido do Brasil em 2025 no acumulado anual, com 73.100 unidades até outubro. O modelo sustenta a Volkswagen no topo das vendas e segue como referência no segmento.

Entre as picapes, a Fiat Strada reina absoluta. Em novembro, a picape compacta emplacou 13.019 unidades, mantendo a hegemonia que a coloca como líder no acumulado do ano com mais de 111 mil veículos vendidos até outubro. A liderança da Strada confirma a preferência dos brasileiros por veículos que combinam versatilidade urbana com capacidade de carga, atendendo tanto profissionais autônomos quanto famílias que precisam de espaço extra.

Tera, Creta e T-Cross: a ascensão dos SUVs compactos no Brasil
Créditos: Reprodução

A ascensão dos SUVs compactos

A preferência nacional por SUVs não acontece por acaso. Pesquisa da Webmotors com quase 2.500 entrevistados revelou que 38% dos consumidores preferem utilitários esportivos, seguidos por sedãs (26%) e hatches (20%). A popularidade desses veículos pode ser atribuída a fatores práticos: espaço interno generoso, posição de dirigir elevada que oferece melhor visibilidade no trânsito urbano e versatilidade para diferentes tipos de uso.

O Hyundai Creta exemplifica esse movimento. O SUV da marca coreana garantiu 1.003 unidades vendidas nos primeiros dias de dezembro, mantendo-se entre os preferidos do público brasileiro. No primeiro semestre de 2025, o Creta liderou as vendas no varejo com 25.908 unidades, posição que já ocupava em 2024. O modelo consegue equilibrar conforto, conectividade e design moderno sem ultrapassar a barreira de preço dos consumidores de classe média.

Outro destaque inesperado foi o Honda HR-V. O SUV da Honda saltou da quarta posição em 2024 para o segundo lugar em 2025, com 25.908 unidades vendidas no varejo no primeiro semestre. O avanço expressivo de 33% sobre o ano anterior mostra que o público reconhece e valoriza os diferenciais do modelo: segurança, espaço interno e o famoso sistema de bancos "modo utilidade" que amplia a versatilidade do porta-malas.

O que os brasileiros buscam em um carro

A pesquisa da Webmotors também identificou os critérios que norteiam a decisão de compra. A confiança na marca aparece como fator principal, superando até mesmo aspectos como design. A facilidade de manutenção vem logo em seguida, reflexo de um consumidor que pensa no custo total de propriedade, não apenas no preço de aquisição.

Entre as marcas mais confiáveis, a Chevrolet lidera com 12% das preferências, seguida de perto por Volkswagen e Toyota, ambas com 11%. Honda e Fiat completam o top 5, com 10% e 9% respectivamente. A longa história dessas montadoras no Brasil e a rede estabelecida de concessionárias e oficinas pesam na balança na hora da escolha.

Em termos de motorização, os motores flex dominam com 65% da preferência dos consumidores. A capacidade de escolher entre gasolina e etanol, dependendo do preço, oferece uma flexibilidade econômica significativa em um país onde o custo dos combustíveis impacta diretamente no orçamento familiar. Os motores a gasolina, diesel, híbridos e elétricos seguem em menor proporção, com 17%, 8%, 8% e 2%, respectivamente.

A revolução elétrica ganha força

Apesar da preferência ainda tímida por eletrificados, o mercado brasileiro vive um momento histórico. Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico mostram que foram vendidas 48.500 unidades entre janeiro e junho de 2025, representando crescimento de 65% sobre o mesmo período do ano anterior. A participação dos eletrificados já alcançou 6% do total de vendas de veículos leves no país.

A BYD lidera essa transformação. A montadora chinesa colocou quatro modelos entre os 15 mais pesquisados em plataformas online no período de outubro de 2024 a setembro de 2025: Dolphin (2º), Seal (3º), King (5º) e Song Plus (11º). A forte presença da marca demonstra o apetite do consumidor brasileiro por carros elétricos e híbridos, especialmente com a chegada de modelos com preços mais competitivos.

O Brasil conta atualmente com mais de 4.500 pontos de recarga públicos e privados distribuídos pelo território nacional. Até junho de 2025, foram instalados mais de 3.000 pontos de carregamento rápido, reduzindo a ansiedade de autonomia dos consumidores. Shoppingcenters, redes de postos de combustíveis, supermercados e condomínios residenciais ampliam a oferta de eletropostos.

O desafio dos sedãs compactos

Enquanto SUVs e picapes avançam, os sedãs enfrentam tempos difíceis. O Chevrolet Onix Plus, versão sedã do hatch campeão de vendas, registrou apenas 618 unidades nos primeiros dias de dezembro. Apesar de liderar o segmento de sedãs em 2025 com 34.468 unidades no acumulado até setembro, o modelo figura apenas em 16º lugar no ranking geral de automóveis.

A queda nos emplacamentos de sedãs reflete uma mudança estrutural no comportamento do consumidor. Modelos como Toyota Corolla e Volkswagen Virtus também veem suas vendas diminuírem, enquanto os SUVs continuam a ganhar espaço. O Onix Plus, que liderava o segmento, caiu para a 20ª posição entre os modelos mais emplacados no primeiro semestre.

Mesmo assim, o sedan da Chevrolet mantém atributos que justificam sua liderança no nicho. O porta-malas de 469 litros, ainda que inferior ao do Volkswagen Virtus, atende famílias que necessitam de espaço para bagagens. O conjunto mecânico oferece duas opções: motor 1.0 aspirado com 82 cv e o 1.0 turbo com 121 cv, ambos flex e acoplados a câmbio manual ou automático de seis marchas.

Hatches populares resistem

Apesar da onda dos SUVs, os hatches compactos continuam relevantes. O Volkswagen Polo vendeu 623 unidades nos primeiros dias de dezembro e acumula mais de 100 mil unidades vendidas até outubro de 2025. O modelo consegue se manter competitivo ao oferecer tecnologia atualizada, design moderno e economia de combustível que atrai consumidores preocupados com o custo operacional.

O Fiat Argo registrou 629 unidades em dezembro, posicionando-se como quinta opção entre os carros mais vendidos do mês. O hatch da Fiat encontra seu público entre consumidores que valorizam custo-benefício e a tradição da marca italiana no mercado nacional. Às vésperas da chegada de uma nova geração baseada no conceito Dolce Camper apresentado no Salão do Automóvel, o modelo mantém volumes expressivos de vendas.

Já o Hyundai HB20 emplacou 729 unidades em dezembro, empatando com o Volkswagen Tera. O hatch da marca coreana alia design arrojado, conectividade de ponta e economia exemplar, mantendo-se firme entre os favoritos do público. Seu interior confortável e motor eficiente tornam o modelo um excelente companheiro para uso diário, especialmente no trânsito urbano.

As estratégias das montadoras

A indústria automotiva brasileira tem atraído investimentos significativos. Fabricantes chinesas como BYD e GWM planejam iniciar a produção local de veículos elétricos e híbridos, apostando no potencial de crescimento desse segmento. A BYD, em particular, anunciou a construção de uma fábrica no Brasil que deve entrar em operação nos próximos anos.

Empresas tradicionais também se movimentam. A General Motors e a Stellantis introduzem veículos híbridos-flex para competir no mercado nacional. A Fiat, por exemplo, finalizou o ano com lançamento dos SUVs híbridos Pulse e Fastback já equipados com o motor T200 Hybrid, sistema micro híbrido que combina eletrificação com a tradicional tecnologia flex brasileira.

A Chevrolet trabalha no lançamento do Sonic, crossover baseado no Onix previsto para o início de 2026. A estratégia repete o que a Volkswagen faz com o Tera derivado do Polo, aproveitando a mesma base para oferecer diferentes formatos e atender nichos específicos do mercado.

Tecnologia como diferencial

A conectividade tornou-se critério essencial na decisão de compra. Os consumidores buscam central multimídia ágil, integração com Apple CarPlay e Android Auto e assistentes de condução que facilitem o dia a dia. O Chevrolet Onix 2025, por exemplo, oferece desde a versão de entrada sistema de som com seis alto-falantes, enquanto as versões intermediárias trazem multimídia de 8 polegadas com conectividade completa.

As versões topo de linha dos modelos populares já incorporam recursos antes restritos a carros premium. Alertas de colisão, faróis automáticos, assistente de permanência em faixa e sensores de estacionamento dianteiros e traseiros tornaram-se quase obrigatórios para quem busca segurança adicional. O Onix Premier e RS, por exemplo, oferecem todo esse pacote tecnológico mantendo-se na faixa de preço acessível, entre R$ 129.190 e R$ 130.190.

O futuro do mercado automotivo

A Associação Brasileira do Veículo Elétrico projeta que o Brasil ultrapassará 215 mil veículos eletrificados vendidos até o fim de 2025, crescimento superior a 20% em relação a 2024. Ricardo Bastos, presidente da ABVE, afirmou em nota que "mesmo diante de juros altos e do aumento do imposto de importação de veículos elétricos, o mercado segue em crescimento".

As projeções indicam continuidade na recuperação e expansão do setor, impulsionada pela diversificação da oferta e pela adaptação às novas preferências dos consumidores por soluções mais sustentáveis. O crescimento das vendas de comerciais leves elétricos mostra um aumento expressivo de 51% entre janeiro e setembro de 2025 comparado ao mesmo período de 2024.

A região Sudeste concentra a maior parte da infraestrutura de recarga, com São Paulo liderando tanto nas vendas quanto na rede de eletropostos. O estado registrou 6.834 emplacamentos de eletrificados em setembro de 2025, representando 31,8% do mercado nacional. Brasília aparece em segundo lugar com 1.862 unidades, seguido por Rio de Janeiro com 1.416.

Embora as tendências sejam positivas, o setor automotivo brasileiro ainda enfrenta desafios importantes. A alta carga tributária, o custo elevado de produção e a necessidade de adaptação às metas ambientais globais exigem investimentos contínuos das montadoras. A competição acirrada resulta em pacotes cada vez mais completos, com garantias estendidas e serviços agregados que valorizam a experiência do cliente.

O ranking de carros mais vendidos em 2025 expõe um mercado em transformação. O Chevrolet Onix mantém sua tradição de liderança entre os hatches, mas os SUVs compactos ganham cada vez mais espaço nas garagens brasileiras. A Fiat Strada domina absoluta no segmento de picapes leves, enquanto modelos eletrificados começam a figurar com mais frequência nas listas de emplacamentos. O consumidor brasileiro tornou-se mais exigente, buscando tecnologia útil, economia real e versatilidade no uso diário - características que definem os campeões de vendas deste ano.


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