O Leapmotor B10 REEV chegou ao Brasil como uma alternativa diferente aos SUVs híbridos tradicionais. Em vez de usar o motor a combustão para mover diretamente as rodas, o modelo mantém a tração sempre elétrica e utiliza o motor 1.5 a gasolina apenas como gerador de energia para a bateria.
Apresentado oficialmente no fim de setembro, o B10 Ultra-Híbrido 2027 estreia por R$ 179.990. A proposta é entregar sensação de carro elétrico no uso diário, mas permitir que o motorista siga viagem mesmo quando não há carregador disponível, bastando reabastecer o tanque.

Leapmotor B10 REEV: o que significa a sigla
REEV vem de Range Extender Electric Vehicle, ou veículo elétrico com extensor de autonomia. Na prática, existe um motor elétrico responsável por movimentar o carro e um motor a combustão que atua como gerador.
Esse funcionamento é diferente de um híbrido convencional, em que o motor a combustão pode tracionar as rodas. Também difere de alguns híbridos plug-in, nos quais motor elétrico e motor a combustão podem atuar juntos diretamente na transmissão.
No B10 REEV, a experiência de condução é sempre elétrica: torque imediato, ausência de trocas de marcha e resposta linear do acelerador.
Motor elétrico de 218 cv
O SUV usa motor elétrico traseiro de 160 kW, equivalente a cerca de 218 cv. O torque chega a aproximadamente 24,5 kgfm e a tração é traseira.
Segundo os dados divulgados pela marca, o B10 acelera de 0 a 100 km/h em 7,8 segundos. É um desempenho compatível com SUVs eletrificados de proposta familiar, sem tentar ocupar uma posição esportiva.
Como as rodas são sempre movimentadas pelo motor elétrico, o motorista não percebe entrada e saída do motor a gasolina como aconteceria em um híbrido tradicional.
O motor 1.5 não move as rodas
O motor a gasolina tem uma função específica: gerar eletricidade. Ele pode alimentar o sistema e manter o nível da bateria durante viagens mais longas.
Isso significa que o carro pode sair de casa carregado na tomada, rodar boa parte do trajeto apenas com energia da bateria e, quando necessário, usar gasolina para continuar produzindo eletricidade.
Para o proprietário, existem duas formas de recuperar autonomia: conectar o carro a um carregador ou abastecer o tanque.
Bateria e autonomia elétrica
O B10 REEV usa bateria de 18,8 kWh. A autonomia exclusivamente elétrica divulgada para o Brasil fica em torno de 68 km nas referências oficiais utilizadas pela marca.
Para deslocamentos urbanos de curta distância, essa faixa pode permitir vários trajetos sem ligar o gerador, desde que o proprietário recarregue com frequência.
Na autonomia combinada, a Leapmotor fala em até 900 km pelo ciclo WLTP. É importante lembrar que ciclos de homologação são referências de laboratório e o resultado real depende de velocidade, relevo, ar-condicionado, carga e estilo de condução.
É preciso carregar na tomada?
Não é obrigatório para o carro funcionar, mas carregar faz parte da lógica do sistema. Se o proprietário nunca conectar o veículo, ele passa a depender muito mais do motor a gasolina para gerar energia.
Quem tem tomada ou wallbox em casa consegue aproveitar melhor o trecho elétrico. Isso pode reduzir o uso de combustível em rotinas urbanas curtas.
Em corrente contínua, a marca informa recarga de 30% a 80% em cerca de 18 minutos em condições ideais, com potência de até 46 kW. Em casa, o tempo depende da instalação e da potência disponível.
Como fica em uma viagem longa
Em uma viagem, o sistema tenta manter energia suficiente para o motor elétrico. Quando a bateria baixa, o motor a gasolina entra como gerador.
O motorista continua dirigindo como se estivesse em um elétrico. A diferença é que pode ouvir o motor térmico funcionando em determinados momentos.
Essa arquitetura interessa especialmente a quem gosta da condução elétrica, mas ainda se preocupa com disponibilidade de carregadores em rodovias ou cidades menores.
REEV x híbrido plug-in
| Característica | REEV | Híbrido plug-in tradicional |
|---|---|---|
| Quem move as rodas | Motor elétrico | Elétrico e/ou combustão |
| Motor a combustão | Funciona como gerador | Pode tracionar as rodas |
| Recarga externa | Sim | Sim |
| Sensação de condução | Sempre elétrica | Pode variar |
| Viagem sem carregador | Possível com gasolina | Possível com gasolina |
Equipamentos do B10
O B10 Ultra-Híbrido chega em versão única. Entre os itens divulgados estão central multimídia de 14,6 polegadas, conectividade com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, câmeras com visão 360 graus, teto panorâmico e sistema de áudio com 12 alto-falantes.
O pacote de segurança inclui sete airbags e assistências de condução classificadas pela marca como ADAS Nível 2, com funções como controle de cruzeiro adaptativo e assistência de faixa.
Garantia também entrou na estratégia
A Leapmotor ampliou em setembro a garantia da linha ano-modelo 2027. O B10 Ultra-Híbrido terá cobertura de seis anos ou 150 mil quilômetros, o que ocorrer primeiro.
Para bateria de tração, motor elétrico e inversor, a proteção informada pela marca permanece em oito anos, seguindo condições contratuais específicas.
Quem pode se beneficiar mais do REEV
- quem percorre trajetos urbanos curtos durante a semana;
- quem consegue carregar em casa ou no trabalho;
- quem também faz viagens longas;
- quem quer condução elétrica sem depender exclusivamente da rede de recarga;
- quem prefere um sistema em que o motor a combustão não traciona as rodas.
O que precisa entrar na conta
O preço de R$ 179.990 coloca o B10 em uma faixa muito competitiva, mas o custo total vai além da compra. Seguro, instalação de wallbox, consumo real, revisões e valor de revenda devem ser considerados.
Também vale lembrar que um REEV não elimina a necessidade de combustível se o carro for usado frequentemente em viagens longas. O ganho maior aparece quando o usuário recarrega e utiliza bastante o modo elétrico.
Um elétrico que também aceita gasolina
O Leapmotor B10 REEV tenta resolver uma das principais dúvidas de quem pensa em migrar para um elétrico: como viajar sem planejar cada parada de recarga. O extensor de autonomia funciona como uma reserva energética alimentada por gasolina.
A proposta é simples de entender: o carro anda sempre por eletricidade, mas não depende apenas da tomada para seguir em frente. Para o motorista brasileiro que alterna cidade e estrada, essa combinação pode tornar a eletrificação mais fácil de encaixar na rotina.

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